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geração à rasca

em que os vizinhos se cumprimentavam. “ficar” não existia. as pessoas se...
Percebo hoje que a sociedade é cada vez mais...
uma reclamação
o frio que deixava minhas unhas azuladas
a...
Fui amigo meu. Eu, pra mim, fui bem. Andava meus pés, mas deixei-me aqui. Não fiquei nenhum. E...
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“(…) Não consigo ouvir. Não consigo ouvir o vento a espreitar pela janela ou as ondas do mar. Não consigo ouvir o ruído dos carros ou as conversas das pessoas pelas ruas. Não consigo ouvir o que os actores dizem nas telenovelas ou as músicas que passam na rádio. Não consigo ouvir os meus pais a discutirem ou o meu irmão a jogar à bola dentro de casa. Não consigo ouvir. Não consigo ouvir nada.
Nasci surdo, com uma deficiência auditiva sem cura. Mas isso não faz de mim uma pessoa anormal ou um deficiente mental como muitos me chamam. Sou um ser humano igual a todos os outros, que come, que dorme, que ri, que chora.
Muitas pessoas pensam que pelo facto de não ouvir não consigo perceber as conversas, sentir os sons, pressentir os movimentos. Escuto as palavras dos outros pelo movimento da boca, vislumbro os sons pelas vibrações transmitidas pelo meu corpo, compreendo os movimentos pelo olfacto.
Não consigo ouvir. Não consigo ouvir nada mas consigo ouvir tudo. (…)”
Pós modernidade, uma crítica á modernidade, uma crítica á sociedade
Setembro 2011
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