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A colectânea "Pós modernidade, uma crítica á modernidade, uma crítica á sociedade" é composta por uma série de textos de ficção, narrados por várias personagens de diferentes sexos, idades e estratos sociais. São histórias soltas, muitas delas sem qualquer ligação entre si, que descrevem a visão de uma determinada pessoa sobre um tema ou situação. Todas as críticas são diferentes em termos de conteúdo e linguagem e, por isso, existem expressões e palavras que do ponto de vista estético e gramatical não estão correctas.

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À rasca

“(…) Estou à rasca. Estou mesmo à rasca. Ainda estamos a meio do mês e já não tenho dinheiro. Também não admira, com a porcaria de salário que recebo. 1500 euros não dá para nada. 1500 euros não dá para pagar o carro, o ginásio, as saídas à noite, os concertos, a gasolina, as refeições… Se não vivesse ainda em casa dos meus pais estava lixado. Não pago renda, água, gás, electricidade, alimentação. Na prática, não pago nada. Mas mesmo assim nunca tenho dinheiro que chegue até ao final do mês. Mas a culpa não é minha. Eu bem tento poupar mas à última da hora surge sempre algum imprevisto. E as coisas estão tão caras. Só um jantar não fica em menos de 50 euros. Um concerto o mesmo. Para não falar na gasolina que não pára de subir.

Estou mesmo à rasca. Amanhã não almoço. Não tenho dinheiro. E levar comida de casa está fora de questão. O que é que os meus colegas iam pensar de mim? Que sou um menino da mamã?!

Posso sempre pedir dinheiro emprestado aos meus pais. Mas já sei o que vão dizer: “Com 32 anos já devias saber gerir o teu dinheiro.” Estou à rasca. Estou mesmo à rasca. (…)”

Pós modernidade, uma crítica á modernidade, uma crítica á sociedade

Junho 2011