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A colectânea "Pós modernidade, uma crítica á modernidade, uma crítica á sociedade" é composta por uma série de textos de ficção, narrados por várias personagens de diferentes sexos, idades e estratos sociais. São histórias soltas, muitas delas sem qualquer ligação entre si, que descrevem a visão de uma determinada pessoa sobre um tema ou situação. Todas as críticas são diferentes em termos de conteúdo e linguagem e, por isso, existem expressões e palavras que do ponto de vista estético e gramatical não estão correctas.

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Comportamentos inadequados

“(…) e passou-me à frente na paragem do autocarro. Deu-me cá uma raiva! Só me apeteceu dar-lhe um soco na cara e berrar-lhe aos ouvidos: “Eu cheguei primeiro!”

Deveria ser permitido agredir física e psicologicamente as pessoas que se comportam mal, que não respeitam os outros e infringem as regras da sociedade. Deveria ser permitido dar caneladas a todos aqueles que passam à frente nas filas dos transportes ou empurram os outros para encontrar um lugar sentado. Deveria ser permitido cuspir para cima de todos os idiotas que mandam piropos às mulheres bonitas e que se masturbam a olhar para as suas curvas. Deveria ser permitido vomitar para cima de todas as pessoas porcas que deitam lixo para o chão, mesmo tendo um caixote do lixo mesmo ao lado. Deveria ser permitido berrar em todos os serviços públicos que demoram horas para atender os clientes mas que fingem ser o mais eficientes possível. Deveria ser permitido dar uma chapada a todos os colegas de trabalho que nos irritam e a todos os familiares que nos criticam. Deveria ser permitido dar pontapés aos pais de todas as crianças mal-educadas que não conseguem controlar os seus agudos e comportamentos irritantes.

Como eu gostava de dar um soco, um pontapé, uma canelada, uma chapada ou simplesmente gritar quando algo está mal. Como eu gostava de agredir todos aqueles que me perturbam, irritam, chateiam ou desafiam com os seus comportamentos inadequados e modos indesejáveis. Como eu gostava de fazer tudo isto e mais alguma coisa. Mas a sociedade não o permite. (…)”

Pós modernidade, uma crítica á modernidade, uma crítica á sociedade

Julho 2011