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geração à rasca

em que os vizinhos se cumprimentavam. “ficar” não existia. as pessoas se...
Percebo hoje que a sociedade é cada vez mais...
uma reclamação
o frio que deixava minhas unhas azuladas
a...
Fui amigo meu. Eu, pra mim, fui bem. Andava meus pés, mas deixei-me aqui. Não fiquei nenhum. E...
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Sou velha mas tenho sentimentos
“(…) Só me vêem visitar uma vez por mês e às vezes nem isso. Compreendo que tenham as suas próprias vidas. Mas não têm tempo para fazer um bocadinho de companhia aqui à velhota! Sempre que os vejo no Lar estão com caras enfadadas e sempre a olhar para o relógio. Como se fossem obrigados a vir aqui!
Passei grande parte da minha vida a tomar conta dos meus filhos e depois dos meus netos. Dei-lhes amor, carinho, atenção. Nunca lhes faltou comida, casa, educação. Nunca lhes faltou nada, sempre lhes dei tudo o que podia. Cheguei a abdicar de certas coisas para terem uma vida melhor, uma roupinha nova, um brinquedo, uma viagem. E o que é que recebo em troca? Nada! De alguns, nem um telefonema, nem uma visita, nem um cartão no dia de anos ou um postal no Natal.
Agora já não precisam da velha para nada! Já não precisam da velha para lhes pagar o carro, fazer o almoço, passar-lhes a ferro ou cuidar dos filhos. Apenas querem saber da velha no Natal ou nos aniversários dos miúdos para ver se conseguem chupar mais dinheiro. Mas agora o dinheiro vai todo para o Lar. Se receberem uns chocolatinhos ou umas peúgas já vão com sorte.
Sou velha sim. Tenho quase 85 anos sim. Tenho artrites, artroses, osteoporose, diabetes sim. Tenho cabelos brancos, rugas e varizes sim. Sou velha sim. Mas continuo a ter sentimentos. (…)”
Pós modernidade, uma crítica á modernidade, uma crítica á sociedade
Agosto 2011
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