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A colectânea "Pós modernidade, uma crítica á modernidade, uma crítica á sociedade" é composta por uma série de textos de ficção, narrados por várias personagens de diferentes sexos, idades e estratos sociais. São histórias soltas, muitas delas sem qualquer ligação entre si, que descrevem a visão de uma determinada pessoa sobre um tema ou situação. Todas as críticas são diferentes em termos de conteúdo e linguagem e, por isso, existem expressões e palavras que do ponto de vista estético e gramatical não estão correctas.

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Família endividada

“(…) Hoje vou dormir à nova casa. A casa não é bem nova. O prédio é mais antigo e o apartamento mais pequeno que outro. O pai já não tinha dinheiro para pagar ao banco as prestações e, por isso, tivemos que sair de lá. A casa antiga, que era mais nova que esta, tinha garagem, arrecadação, três casas de banho e quatro quartos. Esta só tem uma casa de banho e dois quartos. Agora tenho de dividir o quarto com o meu irmão e não gosto nada. Também mudei de cidade. A outra casa era em Algés e agora esta é na Amadora. Quando as aulas começarem vou mudar de escola e ter de apanhar o comboio sempre que quiser ir passear a Lisboa.

Na outra casa também havia piscina, jardim e parque de baloiços para as pessoas que viviam nos prédios iguais ao meu. Da janela do meu quarto via os meus vizinhos a brincar nos baloiços. Na janela do meu novo quarto só vejo casas velhas e sujas. O meu irmão diz que são barracas.

Antes das aulas terminarem o pai levava-me de carro para a escola. A mãe ia para o trabalho no outro carro. Há dois meses tínhamos dois carros mas depois os pais tiveram de vender um. Em Setembro vou ter de ir a pé para as aulas porque os pais vão começar a ir de comboio para o trabalho.

Agora estamos todos de férias mas não fomos para lado nenhum. No ano passado em Agosto estivemos no Algarve e há dois anos em França. Às vezes vamos à praia à Costa ou ao Estoril mas não é a mesma coisa.

Quando era mais nova tinha aulas de dança, de inglês e de natação mas depois os pais não me deixaram ter mais. Agora é só escola e casa. Nem sequer vamos passar o fim-de-semana fora ou jantar a restaurantes. No outro dia perguntei ao pai se éramos pobres mas não obtive resposta… (…)”

Pós modernidade, uma crítica á modernidade, uma crítica á sociedade

Agosto 2011

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