About
Search keywords
Following
Liked posts
geração à rasca

em que os vizinhos se cumprimentavam. “ficar” não existia. as pessoas se...
Percebo hoje que a sociedade é cada vez mais...
uma reclamação
o frio que deixava minhas unhas azuladas
a...
Fui amigo meu. Eu, pra mim, fui bem. Andava meus pés, mas deixei-me aqui. Não fiquei nenhum. E...
Follow me
“(…) Não consegui colocação na universidade. Tentei entrar na primeira e na segunda fase mas não fiquei colocado. Concorri a poucos cursos, a poucas universidades. Tenho a certeza de que se tivesse preenchido mais opções certamente a esta hora estaria enfiado numa sala de aulas provavelmente num curso que não me identificasse.
Terminei o 12º ano com média de 14. 14 é uma boa media para alguns cursos mas não para as áreas que me despertam a atenção. Com esta media conseguiria entrar facilmente em Direito, História, Filosofia, Geografia, Letras, Antropologia, Arqueologia… mas nenhum destes cursos me interessa. Pretendo seguir Marketing, Comunicação ou Psicologia e com um 14 muito dificilmente conseguiria colocação numa universidade pública em Lisboa.
Poderia sempre optar por uma universidade privada mas os meus pais não têm condições financeiras para suportar propinas tão elevadas. Também poderia começar a trabalhar mas estudar e trabalhar nem sempre é fácil.
Este ano vou voltar ao 12º ano. Vou assistir às aulas de Português e História e voltar a fazer os exames nacionais. Pode ser que para o ano consiga entrar na universidade. Prefiro adiar a minha entrada na faculdade do que fazer um curso que não quero e com o qual não me identifico. (…)”
Pós modernidade, uma crítica á modernidade, uma crítica á sociedade
Outubro 2011
“ (…) Vou dar aulas agora ao 8ºB. Sempre que penso que tenho de dar aulas a essa turma entro em pânico. Há 9 anos que sou professora e em 9 anos de carreira nunca tive uma turma tão turbulenta e complicada. São mal-educados, indisciplinados e, muitas vezes, agressivos. Têm entre 12 e 14 anos mas parecem uns autênticos selvagens. Atiram lixo para o chão, comem dentro da sala de aula, escrevem nas mesas, conversam uns com os outros constantemente…
Às vezes já não sei o que fazer. Há dias em que só me apetece sair da sala e nunca mais voltar a dar aulas àquela turma. Já tentei de tudo. Mudar os métodos de ensino e de avaliação, conversar com eles, chamar a atenção dos encarregados de educação… Mas nada resulta. Pelo contrário, continuam cada vez mais violentos e mal-educados. E não são só os rapazes, também as raparigas são indisciplinadas e agressivas. Não me obedecem, são respondonas, dizem palavrões e só não me batem porque não o permito.
Quando toca para o intervalo fico aliviada. É um alívio saber que hoje não terei de passar novamente pelo mesmo. Mas só de saber que amanhã, depois de amanhã terei de voltar a estar em contacto com estes “monstrinhos” fico nervosa e entro em pânico. (…)”
Pós modernidade, umacrítica á modernidade, umacrítica á sociedade
Outubro 2011
“(…) Não quero trabalhar. Eu, Maria Eduarda Vasconcelos de Menezes, a trabalhar? Ai, valha-me Deus! Nunca trabalhei. Não é agora que o vou fazer.
Se o idiota do meu marido não tivesse perdido tudo no jogo não estava nesta situação. Agora tenho de andar de transportes públicos e aturar “gentinha” de todas as espécies, que cheira que horrores, é mal-educada e ainda por cima não tem classe nenhuma. Ai, meu querido motorista!
Mas se ele pensa que vou começar a trabalhar está muito enganado. Nasci num berço de ouro, numa das famílias mais importantes da classe média alta de Portugal. Sempre tive dinheiro para tudo, para viagens, carros, festas excêntricas… Todas as festas que organizava eram capas de revista.
Todas as minhas amigas abandonaram-me. Só a Mitucha às vezes me liga. Mas agora já não tenho dinheiro para ir às compras, ao cabeleireiro, à manicure, à pedicure, ao ioga, ao spa… Já não tenho dinheiro para nada. E sou obrigada a trabalhar. Ai, valha-me Deus! (…)”
Pós modernidade, uma crítica á modernidade, uma crítica á sociedade
Setembro 2011
* Monólogo escrito no âmbito de um exercício de interpretação
“(…) Sou finalista do curso de Marketing e Publicidade. Se tudo correr bem, daqui a 10 meses sou licenciado. Não sei o que vou fazer depois de terminar o curso: se continuo a estudar e faço o Mestrado ou Pós-Graduação ou se procuro emprego na área. Já comecei a enviar currículos para estágios curriculares mas ainda não me chamaram para nenhuma entrevista.
A minha irmã terminou o curso de Psicologia em Junho do ano passado e ainda não conseguiu arranjar emprego. Fica em casa o dia todo sem fazer nada. Às vezes vai a entrevistas mas depois nunca é contactada. Este ano vai voltar a estudar, vai fazer um Mestrado em Psicologia Clínica.
Gostava de começar a trabalhar depois de terminar o curso mas sei que vai ser complicado. Também podia fazer como a minha irmã e tirar o Mestrado mas não sei se vai valer a pena. Quem me garante que vou arranjar emprego depois do Mestrado!? (…)”
Pós modernidade, uma crítica á modernidade, uma crítica á sociedade
Agosto 2011
“(…) Trabalho e estudo. Não sou só trabalhador. Não sou só estudante. Sou trabalhador-estudante. De manhã estudo engenharia informática. À tarde trabalho como operador de call center.
Trabalho desde os 16 anos. O meu primeiro emprego foi como assistente de caixa no Continente. Depois passei por várias lojas e call centers. Tenho 21 anos. A maioria dos jovens começa a trabalhar com essa idade.
Os meus pais não têm possibilidades financeiras para sustentar as minhas despesas. O dinheiro que recebo todos os meses tem de chegar para pagar as propinas da faculdade, as refeições fora de casa, o passe, as saídas à noite, entre outros gastos.
Estou cansado. Esforço-me para ser um bom trabalhador, um bom estudante. Mas às vezes é complicado. Nem sempre tenho tempo para fazer todos os trabalhos da faculdade ou para estudar para os exames. Irrita-me aqueles”filhinhos dos papas” que não fazem nada da vida e mesmo assim faltam às aulas e tiram notas baixas. Mas o que mais me irrita é saber que esses “filhinhos dos papas”, independentemente das notas e médias finais, vão ter um emprego garantido assim que terminarem o curso. Já eu, não tenho tanta certeza. Os meus pais, não têm “cunhas” para me arranjar e muito menos possibilidades para me sustentar enquanto procuro trabalho na minha área de formação.
Às vezes pergunto-me se vale a pena continuar a estudar, se vale a pena gastar tanto dinheiro com propinas, livros ou material escolar, se vale a pena fazer noitadas para terminar trabalhos ou estudar para os exames. Às vezes pergunto-me se vale a pena fazer tantos sacrifícios para depois terminar como assistente de call center?! (…)”
Pós modernidade, uma crítica á modernidade, uma crítica á sociedade
Agosto 2011