3 posts tagged heterossexualidade

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A colectânea "Pós modernidade, uma crítica á modernidade, uma crítica á sociedade" é composta por uma série de textos de ficção, narrados por várias personagens de diferentes sexos, idades e estratos sociais. São histórias soltas, muitas delas sem qualquer ligação entre si, que descrevem a visão de uma determinada pessoa sobre um tema ou situação. Todas as críticas são diferentes em termos de conteúdo e linguagem e, por isso, existem expressões e palavras que do ponto de vista estético e gramatical não estão correctas.

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Famílias diferentes

“(…)

- Lésbica

- Puta

- Gay

- Paneleira

Sim tenho duas mães. Sim são lésbicas. Sim vivo com elas. Mas isso não significa que também seja homossexual. E se fosse qual era o problema!? Mais vale duas pessoas do mesmo sexo felizes do que duas pessoas de sexo oposto infelizes. Desde que se amem. Qual é a diferença. Homem+Mulher. Homem+Homem. Mulher+Mulher. Qual é o problema!?

Existem pessoas mesmo estúpidas e atrasadas mentais. Mas quem sofre mais com tudo isto não sou eu, o meu irmão ou a minha meia-irmã. É a minha mãe e a namorada dela. Quando vou com elas a qualquer lado as pessoas começam logo a olhar de forma diferente e a fazer comentários. Só me apetece chamar-lhes nomes e atirar-lhes coisas para cima. Mas não sou assim. Não sou como essas mulheres antiquadas e homens machistas que se metem na vida dos outros. Sou simplesmente feliz por saber que tenho duas pessoas que gostam muito uma da outra a cuidar de mim. (…)”

Pós modernidade, uma crítica á modernidade, uma crítica á sociedade

Agosto 2011

O que é que iam pensar de mim

“(…) e senti vontade de beijá-la, de beijar a minha melhor amiga. Que estupidez! Vontade de beijar a minha melhor amiga! O que é que me deu? Passei-me completamente! Não sou lésbica. Além disso, tenho namorado e amo o meu namorado. Gosto de beijá-lo e de foder com ele. Gosto de homens, não de mulheres. Então porque é que me sinto atraída por uma mulher? A sério, isto nunca me aconteceu. Não sei o que é que se está a passar. Mas apeteceu-me mesmo beijar aqueles lábios vermelhos, granes e carnudos. E acariciar-lhe o pescoço macio, os seios pequenos… Ana Maria Almeida da Silva pára! Mete na tua cabeça que não és lésbica. Mete na tua cabeça que gostas de homens. Apenas de homens. O que pensaria o meu namorado se o trocasse por uma mulher? O que pensaria a minha mãe se soubesse que estava a ter relações sexuais com a minha melhor amiga? E o meu pai? Pensariam todos que tinha enlouquecido! Mas aqueles lábios, aquele rabo, aquelas coxas… Controla-te! Há sete anos que a Raquel é a minha melhor amiga. Durante sete anos nunca me senti atraída por ela. Porque razão haveria de me sentir atraída agora? Há 25 anos que gosto de homens. Há 25 anos que sou heterossexual. Não é aos 25 anos que vou mudar para bissexual ou lésbica. Não é agora que vou mudar os meus interesses sexuais.

O que é que as pessoas iam pensar de mim. O que é que a Raquel ia pensar de mim? Certamente nunca mais me voltava a falar e dizia a todos os nossos amigos que não bato bem da cabeça. E se calhar não bato senão não teria vontade de beijar a minha melhor amiga! (…)”    

Pós modernidade, uma crítica á modernidade, uma crítica á sociedade

Abril 2011

Homossexualidade

”(…) e de repente, durante o jantar de consoada, com a família reunida à mesa, apeteceu-me confessar aquele segredo que me persegue há anos. Pelo menos apenas passaria por esta situação uma vez. Não teria o transtorno de contar primeiro aos meus pais, ao meu irmão, e depois ao resto dos parentes mais próximos. Sim, apeteceu-me revelar o problema da minha homossexualidade. Não é que seja um problema. Pelo menos para mim não o é. Nem para mim, nem para os meus amigos, nem para os pais do meu namorado. Mas será um problema para a minha mãe, para o meu pai, para o meu avô, para a minha avó…

Sei que a minha mãe não suporta homossexuais. Na semana passada, quando estava a ver um DVD e viu dois gays a beijarem-se ficou escandalizada. Não percebo porquê?! Os homossexuais têm tanto direito de serem felizes como os heterossexuais. O mesmo se aplica com os bissexuais. Não percebo porque é que algumas pessoas ainda continuam a olhar de lado os casais compostos por dois homens ou duas mulheres.

Antigamente, o preconceito estava instalado entre pretos e brancos. Era um escândalo se uma mulher caucasiana decidisse namorar com um negro ou vice-versa. De qualquer forma, tinham direito a constituir família. É certo que, actualmente, os casais homossexuais já podem contrair matrimónio, mas no que respeita à adopção ainda se mantêm muitos preconceitos. Não percebo porque é que uma criança não pode ser feliz se for apenas educada por dois pais ou duas mães. Não percebo porque é que, na prática, os homossexuais continuam a não ter os mesmos direitos que os heterossexuais! (…)”

Pós-modernidade, uma crítica á modernidade, uma crítica á sociedade

Abril 2011