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A colectânea "Pós modernidade, uma crítica á modernidade, uma crítica á sociedade" é composta por uma série de textos de ficção, narrados por várias personagens de diferentes sexos, idades e estratos sociais. São histórias soltas, muitas delas sem qualquer ligação entre si, que descrevem a visão de uma determinada pessoa sobre um tema ou situação. Todas as críticas são diferentes em termos de conteúdo e linguagem e, por isso, existem expressões e palavras que do ponto de vista estético e gramatical não estão correctas.

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Famílias diferentes

“(…)

- Lésbica

- Puta

- Gay

- Paneleira

Sim tenho duas mães. Sim são lésbicas. Sim vivo com elas. Mas isso não significa que também seja homossexual. E se fosse qual era o problema!? Mais vale duas pessoas do mesmo sexo felizes do que duas pessoas de sexo oposto infelizes. Desde que se amem. Qual é a diferença. Homem+Mulher. Homem+Homem. Mulher+Mulher. Qual é o problema!?

Existem pessoas mesmo estúpidas e atrasadas mentais. Mas quem sofre mais com tudo isto não sou eu, o meu irmão ou a minha meia-irmã. É a minha mãe e a namorada dela. Quando vou com elas a qualquer lado as pessoas começam logo a olhar de forma diferente e a fazer comentários. Só me apetece chamar-lhes nomes e atirar-lhes coisas para cima. Mas não sou assim. Não sou como essas mulheres antiquadas e homens machistas que se metem na vida dos outros. Sou simplesmente feliz por saber que tenho duas pessoas que gostam muito uma da outra a cuidar de mim. (…)”

Pós modernidade, uma crítica á modernidade, uma crítica á sociedade

Agosto 2011

Homossexualidade

”(…) e de repente, durante o jantar de consoada, com a família reunida à mesa, apeteceu-me confessar aquele segredo que me persegue há anos. Pelo menos apenas passaria por esta situação uma vez. Não teria o transtorno de contar primeiro aos meus pais, ao meu irmão, e depois ao resto dos parentes mais próximos. Sim, apeteceu-me revelar o problema da minha homossexualidade. Não é que seja um problema. Pelo menos para mim não o é. Nem para mim, nem para os meus amigos, nem para os pais do meu namorado. Mas será um problema para a minha mãe, para o meu pai, para o meu avô, para a minha avó…

Sei que a minha mãe não suporta homossexuais. Na semana passada, quando estava a ver um DVD e viu dois gays a beijarem-se ficou escandalizada. Não percebo porquê?! Os homossexuais têm tanto direito de serem felizes como os heterossexuais. O mesmo se aplica com os bissexuais. Não percebo porque é que algumas pessoas ainda continuam a olhar de lado os casais compostos por dois homens ou duas mulheres.

Antigamente, o preconceito estava instalado entre pretos e brancos. Era um escândalo se uma mulher caucasiana decidisse namorar com um negro ou vice-versa. De qualquer forma, tinham direito a constituir família. É certo que, actualmente, os casais homossexuais já podem contrair matrimónio, mas no que respeita à adopção ainda se mantêm muitos preconceitos. Não percebo porque é que uma criança não pode ser feliz se for apenas educada por dois pais ou duas mães. Não percebo porque é que, na prática, os homossexuais continuam a não ter os mesmos direitos que os heterossexuais! (…)”

Pós-modernidade, uma crítica á modernidade, uma crítica á sociedade

Abril 2011